Nickelback - Everything Under The Sun

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Quatro anos depois de anunciar Get Rollin’, seu décimo álbum e aquele responsável por gerar a turnê mais lucrativa de sua carreira, vendendo 400 mil ingressos apenas nos shows da América do Norte e chegando a arrecadar US$ 25,6 milhões somente com as 28 primeiras apresentações, o Nickelback anuncia um novo material. Everything Under The Sun é o seu décimo primeiro disco de estúdio e traz, novamente, Chris Baseford  entre os nomes da produção.


A canção já é marcada por uma acidez áspera e azeda marcante providenciada por uma guitarra que grita e tremula entre censuras súbitas durante a introdução. Puxada por Chad Kroeger, ela traz intensidade e leva a composição para um ambiente ritmicamente pulsante graças à desenvoltura de Daniel Adair à frente de uma bateria forte e enfática. Rapidamente, em meio a uma atmosfera embrionariamente sombria, mas com uma agressão associada a uma levada curiosamente popeada, Chad entra em cena com a sua voz tradicionalmente rasgada de base aguda fornecendo certo grau de imponência à obra em andamento. Pincelando ligeiras inserções de guitarra em trêmulo picking, a composição explora uma veia metalizada densa, mas que bebe de uma curiosa linearidade harmônica e estético-estrutural. Ainda assim, Rattle The Cage traz aquilo que o ouvinte habituado ao som do Nickelback espera ouvir: peso, agressão, densidade e uma influência pop que suaviza a ambiência de impunidade e autoritarismo. Com direito a um solo gritante em sua agudez quase estridente pronunciada pela guitarra manipulada por John 5, momento em que até mesmo o baixo de Mike Kroeger é percebido com clareza com a sua tonalidade grave e andamento ondulante, a faixa tem o puro perfil de estádio de maneira a incentivar a liberdade e o extravasar em todos os indivíduos presentes. Entre menções de perseverança e determinação, eis aqui uma obra estruturalmente que também lida com a superação como meio de equalizar as emoções.


O ecossistema que se apresenta rapidamente inspira uma tomada não apenas sombria, mas tensa, como se estivesse caminhando por um ambiente ermo e pós-embate. Enquanto isso, a bateria pronuncia frases em tons épicos por se aventurar mais pelas superfícies dos tons do que na estridência da caixa, criando um alicerce místico que inspira a grandiosidade. Junto a ela, existe uma combinação de guitarras protagonizadas tanto por Kroeger quanto por Ryan Peake que vivem sob os efeitos de delay e reverb como meio de soarem ecoantes, propositadamente atrasadas e, assim, casando com a temática completamente atmosférica dominada por um sintetizador cujo intuito é pura e simplesmente construir um entorno vazio, tenso e frio. Ainda assim, é a interferência da guitarra de Tim Galloway no exato imediatismo da introdução que sugere a identidade gótica que funciona como a espinha dorsal de toda a obra. Esse detalhe, consequentemente, se mantém durante a execução do primeiro verso, vivido por Chad e sua interpretação lírica introspectiva e dramática que desemboca em um refrão pungente de nuances agressivas e intensas vivenciado principalmente por uma guitarra pesada cujo riff é focado no tom grave. Com direito a um solo que torna esses detalhes ainda mais intensos, com direito ainda a texturas corrosivas e uma velocidade de pungência austera entregue por Ian Thornley. Dessa forma, Bones For The Crows experimenta uma seara industrial enquanto o quesito lírico traz consigo contornos folclóricos, um tom de lenda que destaca a determinação, o caráter de união em prol de um bem comum. 


O que acontece durante a introdução é que o ouvinte é colocado perante uma camada sobreposta de teclado que, dominada pelas figuras de Mark Siegel e Ido Zmishlany, garante à paisagem uma dramaticidade pinçante, ainda que, de uma forma bastante curiosa, consiga transpirar notas de ternura. Dominada por um viés atmosférico penetrante e hipnotizante, a faixa só não consegue manter o ouvinte distante da sua lucidez porque a segunda metade do seu nascimento já é pautada por uma bateria fluida e um violão que, em razão da sua arquitetura pautada em cordas de aço, garante um viés consciente, mas generosamente intimista. Melodiosa e com ligeiros requintes de drama, é interessante perceber que a textura alcançada pela faixa sugere aquela mesma melancolia alcançada pelo The Cure em seu respectivo single Boys Don’t Cry. Linear no que se refere aos aspectos harmônicos e rítmicos, a faixa tem, no timbre rasgado de Kroeger, aquele elemento que rompe com a pegajosidade do seu torpor e garante traços de uma identidade mais palpável e tangível. Atmosférica, fresca e penetrante, I Already Know é uma obra de base nostálgica que mistura um romantismo intrínseco à vivência das próprias memórias.


Enquanto a guitarra uiva demonstrando o apoio do efeito lap steel, a atmosfera introdutória rapidamente é tomada por uma sensibilidade melodramática que combina um tom melancólico com raspas de uma curiosa nostalgia. Não por acaso, a própria vivência lírica do vocalista é mais terna e delicada, de forma a fazer prevalecer uma temperatura agradavelmente morna que envolve o ouvinte com boas doses de compaixão. Introspectiva na sua máxima essência, a faixa caminha de forma estruturalmente minimalista durante os seus versos como uma atitude proposital para instigar o sentimentalismo por parte do ouvinte até o momento do refrão. Traduzido como um instante em que melodia, ritmo e letra protagonizam um momento de pura maturidade, ele combina uma harmonia linear com pulsos rítmicos firmes de forma a proferir a dose ideal de precisão para que a obra soe ainda mais intensa. Aprimorando os moldes já muito bem construídos pelo Nickelback no que tange à elaboração de baladas, Leave Me Behind, com um backing vocal que marca a participação de Nicholas Durocher, quem enaltece a energia melancólico-etérea por trás da melodia,  tem um quê de altruísmo, de companheirismo e de compaixão enquanto mistura nuances românticas com um toque motivacional enraizado no estímulo à superação. Eis uma obra que, em suma, tenta dizer que, independentemente do sofrimento e do momento da dor, indivíduo algum está sozinho.


A leveza se mantém inalterada, assim como o frescor, a delicadeza e a base sensorial atmosférica. Com um intimismo emotivo e inquestionavelmente compassivo, a canção vai tomando forma a partir de um violão dedilhante e de uma camada lírica ecoante que faz com que o ouvinte sinta uma força etérea e onipresente o rondando. Instrumentalmente minimalista e curiosamente esbarrando em uma interpretação lírica de natureza lamentosa e, portanto, melancólica, a faixa é respaldada por sintetizadores que inserem brisas violinísticas que a conduzem para um ecossistema de silhuetas dramáticas. Felizmente, o que o refrão chega a oferecer ao ouvinte é um céu aberto e de temperatura agradavelmente morna que comunica, mesmo sem usar verborragia, a chegada de um novo dia, de uma nova chance. De superação. Não que If I Don’t Go seja necessária e apenas sobre superação, mas o seu movimento de fato se associa diretamente ao rompimento de velhos costumes, hábitos viciantes e uma rotina aprisionante e à suada, quista e árdua virada de realidade. É a maturidade gritando por uma nova realidade. A liberdade do passado e a vida com foco no futuro.


Enquanto o sintetizador fornece um amanhecer atmosférico envolto em pegajosos contornos místicos, o piano, com suas notas pontuais e graves, na companhia do timbre melodiosamente rasgado do vocalista, causa um contraponto interessante entre maciez e aspereza, de forma a prevalecer uma interessante superfície aveludada. Dramática e introspectiva durante os seus primeiros instantes, a faixa explora uma identidade tocante que, uma vez mais, ressalta a capacidade maestral do Nickelback em compor baladas penetrantes, como aconteceu aqui mesmo em Everything Under The Sun durante a vivência de Leave Me Behind. Aromática e graciosamente entorpecente, a faixa explode em um refrão macio protagonizado pelo toque tilintante do pandeiro fornecendo suaves requintes de movimento e, consequentemente, fluidez. Entre melismas e pontos de uma ênfase frágil, o vocalista auxilia para que o refrão tenha um grau emocional amplo a ponto de superar os limites do som e emocionar o espectador com o seu ecossistema tocante. Diante dessa roupagem, Make Me Love You explora a ideia de um romance como um meio de salvar a esperança e reinjetar o ânimo e a motivação na vida do personagem em questão. Com menções singelas em relação ao viver o presente sem pressa como forma de tornar toda a experiência em algo duradouro e memorável.


A aspereza surge com boa veemência durante a introdução. Graças à identidade do riff da guitarra, a sonoridade em construção foge do torpor amaciado, fresco e melancólico-nostálgico das canções anteriores e passa a explorar o cru e o ríspido. Ainda que a base rítmica assumida pela bateria mantenha à risca o seu molde popeado, a postura da guitarra cria um interessante contraponto de texturas. Brincando com uma espécie de sensualidade um pouco desajeitada, é curioso observar que a obra carrega consigo traços de um ousado cinismo que transforma a maneira como o ouvinte interage com o seu ecossistema. De refrão radiofônico, Chasin’ Famous apresenta um conteúdo lírico que funde análises sociais e da cultura do desejo com a ideia fantasiada que se tem da fama como meio de alcançar a vida plena e endinheirada. Debochando de certas profissões da era digital e, mais especificamente, das redes sociais, a faixa, mesmo diante do seu instrumental viciante, tem um tom crítico ao abordar a realidade moderna de trabalho e de ambição. 


É com uma leveza surpreendente que a composição tem o seu início anunciado. Diante de um coro vocal pronunciando versos monossilábicos em uma cadência amaciada, o ouvinte se embebe de brisas de torpor enquanto um gracioso viés de aconchego invariavelmente toma conta do ambiente. Graças a um sintetizador apoiado em um colchão de função pad, a base da sonoridade transpira um sobe e desce digital com nuances violinísticas que sugerem exatamente um tom de torpor que prepara o espectador para o amadurecimento da faixa em si. E o que é curioso nesse processo é que a composição flui para um compasso cuidadosamente trotante e fragilmente swingado que evidencia a breve densidade do baixo em contato com a flutuação do violão e o pontual dulçor do teclado causando um viés de sustentação quase etéreo. Introspectiva em sua essência, a faixa tem, em si, uma arquitetura conjuntural, aqui abordando ritmo, harmonia e melodia, que muito se respalda na identidade de Hey Jude, clássico single do The Beatles. Diante de um refrão simples guiado não apenas por uma batida orgânica, mas principalmente pelo bater de palmas e por um tilintar sutilmente pinçante do pandeiro que sugere um veludo graciosamente fluido, Simple Song, que ainda conta com camadas adocicadamente ácidas de um teclado reproduzindo a identidade do hammond para incutir imersões interessantemente gospels, fecha seu toque espirituoso com o protagonismo do Rock Choir dirigido pela dupla Chris Mutch-Jones e Sam Smith. Tudo isso potencializa a mensagem de união como uma espécie de remédio motivacional e de fortalecimento comunitário para ganhar esperança e estímulo.


Enquanto o som de água corrente cria uma sensação de fluidez, com um toque de delicadeza contagiante, uma voz masculina se apresenta em meio a uma estática característica de uma frequência radiofônica AM. Levemente encorpada e de nuances nasais, esse timbre, de posse do convidado Ryan Reynolds, traz consigo um viés puramente narrativo que funciona como uma abertura natural, uma recepção tradicional para que o ouvinte mergulhe no universo da composição que está nascendo. É então que tilintares brilhantes semelhantes aos pratos de dedo são ouvidos ecoando pelo ambiente a partir do auxílio do sample. Junto a um violão cálido, gentil e compassivo que se movimenta entre silhuetas e uma sensualidade completamente ausente de um viés propriamente sexual, esse detalhe sonoro incentiva a obtenção de uma identidade não apenas imersiva, mas principalmente onírica com direções de um folk raiz que rememora, curiosamente, o estilo de manejo do instrumento por parte de Jake Kiszka. Evocando uma atmosfera bucólica que parece dar continuidade ao toque folk estacionado em Leave Me Behind, Technicolor Steamboat se apoia no uso do efeito uivante do lap steel que consagra uma ambiência bucólica gentilmente aveludada. Esteticamente frágil e com boa fluidez fornecida pelo andamento da bateria, a faixa é tão suave que faz com que o fantasioso, o imaginário e o sonhador se fundam diante de uma paisagem esotérica inquestionavelmente pautada na rigidez da significância da palavra sensibilidade.


O baixo exibe um rugido gordo antes mesmo que a guitarra, com a sua distorção a emitir uma sonoridade aguda e levemente ácida, surja no escopo melódico puxando o ouvinte para o desenvolvimento da introdução. Evidenciando um compasso rítmico macio e fluido, a faixa ganha outra conotação no instante em que o vocalista entra em cena. Fornecendo uma energia solar que coça pelo seu estímulo notavelmente vivaz, ele caminha por uma melodia marcada não pelos pulsos da bateria, mas sim pelo baixo, instrumento que marca a cadência com determinação. E o refrão é o momento em que essa interpretação ganha a razão da causa simplesmente por fornecer um estado de espírito festivo e swingado refletido em meio à firmeza do compasso rítmico de uma bateria duplamente governada por, além do próprio Adair, Tommy Lee. O interessante, nesse aspecto, é perceber que elementos percussivos tilintantes são entregues por Charlie Benante de forma a amplificar o estado de fluidez estético-estrutural da obra, que, a partir da sua segunda metade, conta com os timbres agudos e consistentes de nomes como Brent Smith e Sammy Hagar, abrilhantando o seu espectro lírico-interpretativo. Dando ainda mais densidade ao corpo melódico, Zach Myers se posiciona com uma segunda guitarra base para dar um extra de sustentação à sonoridade de Lift Somebody Up, uma faixa de atmosfera celebrativa, alegre e lexicalmente solar que se vende não apenas como um hino do rock, mas como uma obra colaborativa em formato de supergrupo que, com um solo de guitarra enérgico assinado por Joe Bonamassa, defende a ideia de compaixão, de altruísmo e de senso de compaixão para com o outro que chega a tangenciar com o conteúdo de Simple Song.


Enquanto o sample fornece emulações de violinos tremulantes como forma de construir a introdução imediata da composição, o baixo vem logo em seguida entregando corpo e um movimento de sobe e desce que causa um senso hipnótico interessante. É então que uma voz feminina aguda e de nuances graves uiva diante da superfície lírica de forma a introduzir um caráter interessantemente fantasmagórico ao contexto rítmico-melódico. Na posse de Avalon Kroeger, esse timbre chega até a sugerir uma temperatura fria que sugere um viés místico à obra, que se perde em meio a um torpor generoso mesmo em meio ao timbre áspero do vocalista. Agraciada pelo efeito de delay nas camadas líricas, o que auxilia na obtenção de ecos que acabam indicando uma energia interessantemente onírica ou simplesmente transcendental, Bottled Dreams é uma faixa marcada por uma linearidade harmônica, mas cujas texturas e súbitos de cadência chegam a rememorar aquela presente em Feel Like Makin’ Love, single do Bad Company. É assim que a faixa apresenta um enredo que traduz a mesmice, a ausência de motivação, de incentivo e a sensação de clausura dentro de uma vida sem expectativas e cheia de promessas vazias.


Diante de uma guitarra ausente de suas frequências graves e médias, pesadamente comprimida a ponto de soar com uma agudez brilhante, a canção tem o seu início declarado com o auxílio de uma base rítmica distante percebida diante de um compasso 4x4 de um mid quase chegando a ser low tempo. Promovendo a percepção de um veludo transcendental e hipnotizante que amadurece diante da maciez rítmica que dá andamento ao primeiro verso, essa percepção se funde a uma energia tão leve quanto o vento, a qual é propagada especialmente pela maneira com que o cantor vive o escopo verbal. Introspectiva e fresca, mas também com direito a inclinações nostálgicas graças a alguns sons digitais aveludados e doces cuidadosamente inseridos na sua receita sonora, a faixa explora uma sensualidade convidativa diante do seu processo de crescimento que auxilia o ouvinte a se permitir se entregar a um refrão completamente imerso em uma mistura de sensibilidades nostálgico-melancólicas. Aromática e de viés indie, Last Night Was Fun é uma obra de luau que soa como um verdadeiro jato de letargia, uma abertura para um mundo utópico de existência momentânea que leva o ouvinte para longe dos seus próprios problemas e dos problemas do mundo que o cerca. Eis aqui um momento de desaceleração necessária, de equalização energética e de equilíbrio para conseguir se manter firme na trilha da vida com a maturidade e a consciência ideais para enfrentar os desafios da melhor maneira.


É um circuito diferente daquilo que podia se esperar de uma banda cujo nome é Nickelback. Afinal, o que o ouvinte encontra em Everything Under The Sun é muito mais uma compilação de baladas do que canções regidas pelas texturas ásperas e pela densidade estética que marcaram trabalhos anteriores, como foi o caso de Feed The Machine. Aqui, porém, o grupo canadense parece ter se permitido dar um passo a mais naquilo que construiu e alcançou com Get Rollin’ .


Trazendo canções marcadas muito mais pela leveza, pelo frescor e por um caráter sensorial surpreendentemente espirituoso, o grupo se mostra mais maduro, consciente e com uma pegada mais altruísta. Combinando enredos líricos de natureza motivacional, com incursões altruístas cheias de compaixão, além de conseguir fornecer o bem-estar ante o engrandecimento do desconforto, o disco tem em si detalhes que valem a pena serem novamente salientados.


O primeiro deles é a influência de Durocher na construção de atmosferas folkeadas, especialmente como aconteceu em Leave Me Behind. Ali, o ouvinte, além de descobrir uma nova faceta melódico-sensorial do Nickelback, se envolve em uma energia mista de leveza, drama e melancolia que se mistura com uma batida envolvente. Esse tom de leveza, especialmente, é visto em todo o álbum, não sendo, portanto, uma excepcionalidade do título em questão. Claro que há momentos em que o grupo traz aquilo que seu público quer ouvir, tal qual o seu lado pesado capturado em títulos como Bones For The Crows e seu toque industrial, ou a azeda Rattle The Cage.


Outra coisa que merece o devido destaque é a exacerbação da capacidade que o grupo tem de construir ambientes de texturas metalizadas, mas capazes de ser lexicalmente dançantes, fazendo de Chasin’ Famous a prova disso. Parecendo dar um toque de amadurecimento nas fórmulas de faixas icônicas como Far Away, Photograph e Rockstar, o que pode ser percebido em I Already Know, If I Don’t Go e a própria Chasin’ Famous - no que tange à ideia lírica, o grupo ainda traz hinos festivos e de peso colaborativo, como Lift Somebody Up, embasando a proposta de grandeza e versatilidade na produção de Everything Under The Sun.


Assinada principalmente por Chad Kroeger e Baseford, a produção também contou com nomes como Peake, Chris “Hollywood” Holmes, Zmishlany e Mitchy Collins. A partir daí, o Nickelback fez do álbum um laboratório em que experimentou muitas texturas digitais a partir de emulações, samples, compressões sonoras, sintetizadores e efeitos de pad para criar ambientes estético-sensoriais novos em relação às suas roupagens habituais. Não à toa que o industrial divide espaço com o metalizado, com o folkeado, com o etéreo e com o popeado de maneira surpreendentemente harmoniosa.


Dando seguimento à grandeza de Everything Under The Sun, vem a mixagem, também feita a várias mãos. Com a participação de Baseford, mas também de nomes como Irene Genova, Alex Kalteziotis, Sam Gazartian, Dawson Kroeger e Noah Gottdenker, o disco encapsula a sua mistura musical, compreendendo o rock, o indie, o folk e o pop com tratamentos que evidenciam cada uma dessas atmosferas, ainda que as harmonias e as bases rítmicas soem majoritariamente lineares.


Fechando o escopo técnico, vem a arte de capa. Assinada pelas empresas Virgin Music Group e Nickelback II Productions, ela traz uma roda astrológica dando destaque ao seu entorno cósmico e ao seu centro de um etéreo pacificante, enaltecendo o perfil espirituoso, motivacional e maduro que marca o álbum em sua essência. 


Lançado em 30 de outubro de 2026 via Virgin Records, Everything Under The Sun traz o Nickelback vestindo uma roupa inédita. Mais focado em baladas e imerso em uma energia transcendental, o grupo apresenta, aqui, a maturidade em forma de som. Sem se esquecer do seu lado metalizado e mesmo melodramático, ele faz do disco uma vitrine de base pop que explora outros universos sonoros como forma de mostrar a sua liberdade artística. Diante disso, o que o disco apresenta não é simplesmente a dicotomia entre amor e ódio em relação ao quarteto, mas sim o merecimento pelo simples ato de respeito.

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.