Maddy Ringo - Shelter

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Sua introdução já comunica leveza e uma sutileza estético-estrutural estonteante. A partir da combinação existente entre bateria, teclado, piano e violão, esse recorte sonoro-narrativo apresenta uma paisagem introspectiva serena, morna e agradavelmente aveludada. Apresentando uma sinergia afiada especialmente entre bateria, violão e piano, a esfera rítmico-melódica oferece um andamento amaciado e bastante fluido que coopera com a percepção de uma serenidade incontestável.


Enquanto o piano desfila os primeiros sinais de harmonia de forma a oferecer dulçor e um sabor minimamente tocante, a bateria cresce minimamente, mas se responsabiliza pela aparição de um sabor adocicadamente ácido proveniente do hammond. É a partir daí que o primeiro verso se anuncia e que Maddy Ringo, com sua voz gentil, adocicada e levemente nasal, entra em cena com notável fragilidade. 


Explorando uma postura intimista com traços românticos interessantes perante uma sonoridade cuidadosamente pulsante em uma cadência 4x4 denotativamente vulnerável, a faixa exibe, aqui, a interatividade sintônica existente entre elementos já citados como violão, piano e bateria. Contudo, é importante destacar que é exatamente nesse contexto em que o baixo se põe a exortar a sua própria contribuição ao desenho sonoro. De pulsos secos, mas dando vazão para um groove encorpado que sugere a dose ideal de densidade sem interferir na vulnerabilidade da sua estética, é como se ele desse firmeza e um ponto de ancoragem para tanta serenidade.


Adoravelmente swingada, conforme ela engata em um crescendo gradativo, a faixa exibe camadas sobrepostas que capturam com perfeição a construção da esfera harmônica com piano e o hammond se comunicando amistosamente em uma parceria de complementação. Quando enfim atinge o refrão e passa a ser abraçada por backing vocals que exibem uma equilibrada sustentação aos versos entoados por Maddy, Shelter transpira, justamente em meio às pronúncias da cantora, inflexões e melismas que indicam a influência do soul em seu estilo de canto, tornando-a uma obra ainda mais tocante e sensível. 


Tudo perante uma estética que varia entre as ambiências sessentistas e setentistas que deixa a atmosfera conjuntural ainda mais encantadora e bela em sua sutileza charmosa que, mesmo diante de um ritmo linear, destaca influências de um blues raiz com toques marcantes do folk pela forma como o piano se movimenta. Uma obra em que o nostálgico encontra a liberdade com a brisa do vento do campo.

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.