Robert Crowell - CHOKE

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A canção já tem seu início marcado não apenas por uma estruturação madura, mas pelo seu alicerce marcante. Sincopado em sua máxima essência, ele escancara a sintonia entre o beat e o baixo, instrumento que detém protagonismo absoluto por meio de seu groove cheio de presença e aparência levemente azeda. O interessante é perceber que essa combinação acaba sendo capaz de também criar um bom senso de sensualidade no que tange a percepção de movimento.


Sua natureza sensorial, apesar de soturna, permite a captura do ouvinte por um aparentemente embrionário senso de contágio construído através de uma paisagem sonora cada vez mais pungente e introspectiva, mas não menos intensa. Com o auxílio do enredo lírico rappeado desenvolvido pelo timbre intermediário de Robert Crowell, a canção, uma vez mais, em virtude da natureza quase sussurrante adotada por ele em sua interpretação lírica quase sussurrante, tem seu limiar de sensualidade amplificado.


Ainda assim, portanto, essa sensualidade acaba, gradativamente, tomando corpo de provocação no que tange posturas de rebeldia, empoderamento e contestação, questões amplificadas pela presença da guitarra e seu riff distorcido de andamento trotante. Somando a essa primeira percepção de imponência, o refrão explode no momento mais insano e incandescente da obra, com direito a Crowell explorando seu timbre rasgado ao introduzir o screamo na receita estrutural da composição.


Azeda, estridente e impulsiva, CHOKE é uma obra que, se mostrando uma perfeita intersecção entre Linkin Park, Hollywood Undead com pitadas de Stone Temple Pilots, traz Crowell vociferando a sua própria percepção no andamento da indústria capitalista. Como uma verdadeira peça de uma engrenagem maior que não pode parar, ele se coloca como um escravo do sistema. Um peão vivendo de maneira mecânica, ausente de identidade e ânsias. Um item sufocado, estrangulado, usado apenas para servir e se esquecer de si.

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.