Diante da adoção do efeito fade in, a canção tem a sua sonoridade inicial evidenciada de forma gradativa. Ousadamente, seu amanhecer não é calcado por uma estruturação melódica padrão, com instrumentos de cordas. Quem puxa seu amanhecer é a bateria adornada por uma levada rítmica repicada e de aparência consistente. Evidenciando a sua natureza sincopada, o instrumento, mesmo que de uma forma um tanto prematura, é capaz de, inclusive, incentivar a aquisição de uma sensorialidade sensual perante a paisagem sônica em andamento.
Rapidamente, uma conjuntura de trompetes é percebida de forma a trazer uma vivacidade quase incandescente à canção. Ao mesmo tempo, a guitarra, perante seu riff levemente aveludado e fragilmente flertante para com o efeito wah-wah, evidencia um swing irresistivelmente atraente que destaca a sua natureza funk. Eis então que, no instante em que o enredo lírico começa a ser desenvolvido, o ouvinte se vê diante de uma intensidade provocante que beira a libido.
Graças à interpretação lírica assumida por Paul Louis Villani e seu timbre intermediário afinado, o espectador consegue encontrar semelhanças entre seu estilo de canto com aquele adotado por Lenny Kravitz. Cheio de saltos que colocam à prova a sua consistência vocal, a canção destaca que Villani tem, em sua essência, muito da ambiência tanto do R&B quanto do soul.
Mergulhando em um refrão elétrico e inquestionavelmente sensual, a faixa apresenta a presença de backing vocals que tornam a linha lírica ainda mais consistente, enquanto, simultaneamente, envolve a atmosfera em um abraço de harmonia que se soma àquela já oferecida pelos metais. Sincopada e com uma boa presença do baixo e de seu groove encorpado, Sweat Drips ainda se destaca por ter uma ponte em que o lirismo traz consigo contornos ritmados na arquitetura do rap, o que sugere uma nova percepção de movimento em sua paisagem sônica que, inclusive, destaca referências nítidas à figura de James Brown.

