É impressionante como uma música precisa de apenas alguns sons, quando bem trabalhados, para conquistar não apenas a atenção, mas o coração daquele que se aventurar por sua audição. Com uma delicadeza invejável e um minimalismo estético-estrutural maduro, a canção alcança as profundezas emocionais do ouvinte com notável facilidade apenas através do violão.
Com sua melodia macia e levemente crua induzindo à percepção do folk em meio à sua paisagem sonora, o instrumento se une, imediatamente, à bateria para a criação de um contexto rítmico-melódico sincrônico e capaz de manter a profundidade sensorial obtida nos primeiros desde os primeiros instantes da obra. Deliciosamente hipnótica em virtude dos uivos em falsetes impressos por Matthew Lowers, quem consegue trazer o mesmo grau de sentimentalismo muito bem trabalhado por Terje Gravdal, a faixa ainda guarda uma boa surpresa ao espectador.
De repente, após a segunda estrofe, o escopo lírico passa a ser narrada por uma voz feminina firme e grave. Na posse de Kate Millner, ela é capaz de trazer mais consciência e, curiosamente, um toque mais racional ao cardápio emotivo que preenche o mundo da faixa. Ainda assim, sua contribuição auxilia na percepção da sinceridade, da honestidade e, inclusive, na evidência da alma de As They Say, uma composição folk acústica que conta a história de uma alma em busca do amor perdido ao mesmo tempo em que pincela menções sobre resiliência e persistência.

