
Golpes sequencias precisos fazem com que a caixa da bateria transpire um sonar estridente que rompe o silêncio através de uma postura preconcebidamente intensa. Tendo ela como uma espécie de abre-alas solitária, a canção, posteriormente, encaminha o ouvinte para um ambiente regido por um instrumental de natureza soturna, pungente e até, de certa forma, dilacerante.
Com uma bateria explosiva, mas ao mesmo tempo entorpecida em meio ao seu andamento rítmico, a canção entrega ligeiro destaque à guitarra e seu riff asperamente sujo, sensual e sombrio. Ainda assim, é inquestionável que o baixo, através de seu groove de natureza azeda e um encorpamento regido por uma leve estridência, mereça certo reconhecimento. Afinal, o instrumento, em meio à sua postura debochadamente cínica, entrega um viés de consciência que rompe o torpor visceral fornecido pela obra até então.
Assim que o primeiro verso se inicia, uma voz masculina em seu tom agudo e de base rascante proporciona texturas mais afiadas à faixa, preenche a atmosfera. É a partir daí, com o enredo lírico em andamento, que o ouvinte percebe que Head Down é uma canção em que Jesus Chrysler Supercar se inspirou no personagem Santo dos Assassinos, das HQs Preacher.
Na faixa, portanto, o carácter é destrinchado em todas as suas naturezas sobrenaturais com habilidades envolvendo divindade e imortalidade, enquanto se salienta a sua influência tanto no paraíso quanto no inferno. Baseado nessa cenografia, Head On, ao entrar no refrão, assume uma paisagem sonora que muito rememora aquela difundida pelo Nickelback em virtude de sua rispidez alt-rock soturna.