O primeiro sonar da canção é uma guitarra munida de um riff de nuances digitais agraciadas por uma sensualidade provocante que comunica, sem pestanejar, sua imersão no campo do funk. No instante seguinte, é de chamar a atenção a transformação. É verdade que a canção se desenvolve calmamente perante um terreno de veia acústica, mas é justamente nele que o frescor se evidencia diante de um compasso folkeado com direito a um baixo de groove grave saliente e penetrante.
Dando ainda mais ênfase ao escopo folk está uma voz masculina lexicalmente grave que não tarda a ocupar seu espaço na receita conjuntural da obra. De posse de David Alex-Barton, ela traz consigo uma curiosa identidade sertaneja que prende a atenção do ouvinte e o faz ficar compenetrado a cada palavra proferida. Desfilando, ainda, falsetes bem executados em meio à sua narrativa lírica, o cantor, conforme a música avança, mostra mais de suas habilidades vocais ao fornecer um tom limpo, agudo, afinado e com nuances levemente adocicadas.
Mergulhando em um contexto firmemente pulsante abraçado por uma camada harmônica adocicadamente ácida fornecida pelo teclado, elemento que preenche os espaços restantes da composição com um toque de psicodelia, a faixa não esconde seu clima contagiantemente descontraído, leve e fresco. Afinal, em sua máxima essência, Dog ‘n All é uma faixa que, além de flertar com o southern rock, narra um romance curioso pelo seu clima despreocupado e postura livre. Independente. Cheia de deboche e toques de pura comicidade, a faixa, a partir daí, explora vivências fora do padrão de uma dupla romântica ousada e aventureira.

