Desde seu início imediato, a canção explora uma sonoridade intensa, viciante, perigosa. Com pulsos bem marcados diante de nuances agressivas, a faixa é, inclusive, rapidamente agraciada por trovões groovados vindos de um baixo de riff grave e levemente azedo de postura saliente que oferece corpo e densidade à melodia em processo de formação. Inclusive, ao mergulhar em sua segunda etapa introdutória, a canção faz do groove seu principal ingrediente, enquanto a aspereza ocupa o posto do coadjuvante.
Misturando, de maneira equilibrada, sujeira e estridência, a faixa não se intimida com a sua estrutura sônica e acaba por denunciar uma interessante mistura entre o post-grunge e o hard rock. Sensual, mas vivendo um primeiro verso que pede por um instante de introspecção, a canção acaba obtendo aspectos harmônico-melódicos que rememoram aquele obtido pelo Smith/Kotzen em seu single Scars. Ainda assim, é possível perceber que a existência de uma atmosfera mais embasada no universo do country cria uma confortável diferença entre as obras.
Fluindo para um refrão explosivo e contagiante, o qual, por sinal, desfruta de uma estrutura radiofônica, mas não necessariamente apelativa, a faixa mostra que o Soul Revival sabe mesclar bem a introspecção com expansividade. Não é de se espantar que, de alguma forma, Raised By The Fire soe como um incentivo à liberdade, à independência. Ao controle absoluto do livre-arbítrio de decidir onde e quando ir.

