Não é apenas o instrumental que começa a toda forma. A energia, a envolvência, a alegria, a sedução e a sensualidade aparecem em cena estendendo a mão ao ouvinte prontos para levá-lo a um mundo sensorial diverso e amplo. Entre o teclado reproduzindo o veludo típico do fender rhodes, a bateria sincopada e a dupla de metais saxofone e trombone, a composição logo exorta a sua natureza soul.
Conforme a canção se desenvolve e acessa o seu primeiro verso, ela possibilita ao espectador a percepção lúcida e transparente de um baixo encorpado de andamento saliente na base melódica. A partir dele, a composição é agraciada pelas qualidades inerentes à consistência e encorpamento sonoros, conferindo, à música, a proeminência do corpo e da resistência.
Com direito a uma linha lírica construída através de uma voz masculina consistente e firme em meio à sua breve inclinação operística vinda de Mads Vighus, a faixa ainda é capaz de transcender as classificações a ela impostas até o momento. Em meio ao seu vasto frescor, a faixa evidencia uma guitarra cujo andamento sincopado confere a ela uma veia funk saliente.
De extremo viés dançante enquanto flerta com a temática disco, Easy Money apresenta um ânimo, um sorriso e uma saliência que surpreende pelo fato de ser elaborada por um artista norueguês. Com a música, Vighus faz, da canção, o lar ideal para um lirismo com veia crítica social. Aproveitando sua energia leve e contagiante para suavizar o peso de sua mensagem, o vocalista dialoga sobre o dinheiro como um bem a ser perseguido. Um bem escorregadio que, mesmo quando capturado, se esvai rapidamente. Ao mesmo tempo em que destaca seu teor descartável, a obra ainda o coloca como um símbolo de poder em meio a um mundo consumista, imediato, vazio e fútil.

