A guitarra base puxa a introdução da composição de forma a conseguir imprimir o calor e a sedução perante mínimos instantes sonoros solitários. Quando a guitarra solo invade o cenário, porém, o que acontece mínimos instantes depois, existe a percepção de um rompante bojudo que engrandece a sensorialidade inerente à percepção de provocação, fazendo com que a canção rapidamente adquira uma postura sexy.
Rebolante, solar e levemente suja em virtude da desenvoltura da bateria, a canção esbanja uma identidade sertaneja ao oferecer uma combinação sonora que envolve o blues, o folk e, surpreendentemente, também o boogie-woogie em virtude do compasso sincopado e linearmente sequencial das notas agudas do piano. Com direito também a um baixo de groove encorpado responsável por oferecer a devida consistência à estrutura conjuntural, a conta se fecha com a presença de uma linha lírica interpretada por uma voz masculina rasgada que amplia a ardência e a libido.
Ainda, é preciso pontuar a existência de backing vocals femininos que, além de darem mais peso à camada harmônica, fazem com que a obra flerte, inclusive, com a roupagem da soul music. Eis então que a canção se evidencia por meio de um ecossistema simples, sem qualquer sinal de brilhantismo, mas possuinte de uma sintonia instrumental admirável que funde diversos gêneros musicais na criação de uma identidade sonora única e provocante. Diante disso, Mojo On é uma obra que consegue reviver a libido de uma Sunset Strip oitentista e sua pura leveza debochadamente descompromissada.

