Seu início é embebido em uma experiência sensorial demasiadamente introspectiva. Conseguindo ser pegajosa na forma como constrói nuances de um drama embrenhado em melancolia, ela sugere as lágrimas. Sugere uma dor que ainda não foi cicatrizada. Sugere um coração dolorido procurando por um refúgio. A partir daí, não é difícil que o ouvinte, inclusive, identifique toques de torpor que buscam auxiliar na aquisição de uma calmaria a esse sofrimento que beira o rascante.
Fresca, mas curiosamente soturna graças à maneira com que a guitarra monta os primeiros sinais sonoros, a melodia chega a até enganar o espectador com sua manipulativa maciez. Nesse ínterim, é interessante de se observar como a bateria, combinada com a guitarra base, consegue enaltecer o drama tanto a partir de uma instrumentação conjunta quanto individual.
Contando com os pulsos levemente bojudos do baixo providenciando as menções de consistência sonora, a faixa acaba mergulhando diante de um interessante meandro soturno. Quando, enfim, o vocalista entra em cena e começa a preencher o espaço restante com o enredo lírico, seu timbre, grave e semelhante àquele de Caleb Followill, contribui para que a canção alcance o rascante e o visceral. Com ele, as lágrimas assumem texturas ácidas que corroem a pele em uma dor invisível.
No entanto, é interessante e importante pontuar que, mesmo diante de brisas de crueza estruturais, a faixa engata em um movimento melódico-lírico-narrativo que mostra ao ouvinte o processo da entrega à dor ao gradativo fortalecimento emocional que, posteriormente, leva o indivíduo à percepção da necessidade de superação. Break My Heart (2 A.M.) é justamente sobre isso.

